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28 de dezembro de 2002 |
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Vem da Argentina o filme ideal para quem está pensando em levar a sério a idéia de que “ano novo é vida nova”. Trata-se do belíssimo “O Filho da Noiva”, um manifesto em favor das coisas simples como a busca da felicidade e o amor.
O personagem central, Rafael, é o dono de um restaurante em Buenos Aires. As coisas não vão bem e Rafael não tem tempo sequer para prestar atenção em sua filha, a qual só vê uma vez na semana. Separado de sua primeira mulher, Rafael também não tem tempo para sua nova companheira. Sua mãe sofre do mal de Alzheimer e está internada em um asilo. Praticamente não tem mais consciência do mundo a sua volta e vive mergulhada em um lugar indefinido entre si mesmo e o nada. Mesmo sendo católica devota, a mãe havia desistido, quando jovem, do casamento em uma Igreja em favor das convicções de seu marido.
. Por conta disso, o pai de Rafael deseja, após mais de 40 anos de vida em comum, oferecer à companheira doente uma cerimônia de casamento. Este é o pano de fundo para um enredo surpreendente que é mantido com um humor refinado e com passagens de um lirismo arrebatador.
Rafael é o protótipo do cidadão comum de classe média. Sucesso para ele é uma idéia que se confunde com “posição social” e viver estressado lhe parece tão natural quanto despachar, todo o tempo, ao celular. Cético com relação à política, Rafael é, também, descuidado nas suas relações pessoais e imagina que “desamor” seja o mesmo que “maturidade”. Rafael guarda, entretanto, possibilidades mais generosas e é dilacerado por um conflito com a vida que lhe restou. Ao longo da trama, ele terá a chance de mudar de vida e, para isso, precisará vender o restaurante. Conseguirá fazê-lo? Terá a chance de descobrir que sua filha escreve poemas que ele jamais leu? Saberá que sua companheira é uma mulher linda e que, sem ela , sua vida não tem qualquer sentido? E seu pai, conseguirá levar a esposa doente ao altar? Afinal de contas, é possível que exista uma verdadeira paixão entre velhos? Para descobri-lo, você precisará ver o filme.
A propósito, estou de muda para a Inglaterra. Decidi aceitar o convite da Universidade de Oxford de uma bolsa para um período de um ano de estudos. Meu projeto de pesquisa tratará de conhecer as experiências exitosas de segurança pública na Europa. Pela primeira vez em minha vida, estarei todo o tempo com Jussara, Maíra e Sofia e sem agenda a cumprir, o que, no meu caso, é quase um sonho; algo assim como “vender o restaurante”...
“Ano novo, vida nova”... nunca esta frase foi tão verdadeira para mim. Tenho certeza de que ela também será verdadeira para o Brasil. Dá-lhe, Lula!
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