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Há algo em cada mulher que se tateia como se tocássemos seda. Não me refiro ao que há de frívolo ou comum na expressão “como seda”, mas a algo mais radical que se tateia porque não se sabe e fascina; que é seda porque especiaria, porque de procedência outra e mistério. Há algo em cada mulher; ou melhor, na atmosfera que envolve cada mulher, que transforma as coisas e as faz mais interessantes.
Em torno de cada mulher há um silêncio; levíssima ausência que sentimos na espinha. A atmosfera em torno de cada mulher recolhe todas as palavras e, algumas vezes, nos leva também o ar. Diante de certas mulheres, há paisagens inteiras. Há mulheres líquidas que olham como se derramassem o oceano sobre nós e, outras, diante das quais pressentimos intimidade sombria com rumor de águas fundas. Há mulheres de doçura múltipla e de uma urgência que alimenta e outras que, quando se as vê, prenuncía-se tormenta. Há mulheres febris e mulheres simétricas. As que emergiram de uma tela e as que saíram de uma fruta. Há mulheres que flutuam, que deslocam-se como um conceito. Algumas ventam e tanto que nos sopram num canto; outras são de lua e nos beijam na rua. E há aquelas que perdemos; as que não veremos nunca mais. Mulheres que nos invadem ainda; às vezes, como punhais. Há algo em cada mulher que se tateia como se tocássemos seda. No sentido também de como deve ser sensível o nosso toque. Que ele não fira. Que não tergiverse e não desvie. Que seja simples e inteiro sempre. Que, sobretudo, nosso toque seja tão somente um jeito de realçar o que faz da seda feminina. O que nos encanta, além da palavra, o que desconcerta, neste ser que ilumina. Judete Ferrari é uma dessas mulheres luminosas. Sua candidatura à Assembléia Legislativa é, para todos nós, um alento. Com seu mandato, teremos a garantia de tocar em questões com o cuidado com que se faz uma carícia ou com a delicadeza que temos diante dos tecidos mais nobres. Judete é um desses nomes que persistem na palavra seda; é o sorriso que nos abraça e a esperança que nos move. Marcos Rolim Vamos abraçar esse país O texto que vocês acabaram de ler diz muito a respeito de um Homem, assim mesmo, com “H” maiúsculo. Alguém capaz de inventar uma linguagem, de surpreender, de começar algo novo. Marcos Rolim é, antes de tudo, um exemplo de militância e de atuação parlamentar. Com o seu esforço e sua criatividade, o RS teve a primeira Lei de Reforma Psiquiátrica da história brasileira. Foi com Rolim que nós todos, trabalhadores em saúde mental, nos somamos para garantir essa conquista tão importante há 10 anos atrás. Ao longo do seu trabalho parlamentar, a luta pelos Direitos Humanos foi alçada a uma nova dimensão e inúmeras outras vitórias assinalaram sua trajetória amplamente vencedora. Mais importante do que essa história, ainda, é o fato dela ter sido construída sempre contra a maré. Rolim possui essa impressionante capacidade de subverter conceitos, de oferecer um olhar diferente e de renovar nossas perguntas. Por conta disso, jamais se deteve diante dos preconceitos e nunca vacilou ao defender posições complexas e heterodoxas, mais amplamente na sociedade, ou no interior do próprio Partido. Estar concorrendo a um cargo legislativo fazendo uma campanha conjunta com Marcos Rolim é algo que, a um só tempo, me desafia e me orgulha. Na Assembléia, quero resgatar a tradição aberta por ele na Comissão de Direitos Humanos e me dedicar, integralmente, à luta pela afirmação da cidadania. Combatendo os preconceitos e a exclusão social, lutando por políticas públicas de saúde, buscando assegurar qualidade de vida e respeito para aqueles que encontram-se à margem dessa sociedade tão injusta, violenta e desigual. Para que tenhamos mais tempo livre, para que possamos amar mais, para que estejamos prontos para a arte e a poesia. Por isso, vamos nos confundir com as bandeiras que nomeiam as multidões e abraçar esse país.
Judete Ferrari |