| BIPO, AGORA DE LUNETA |
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| 04 de julho de 2010 | |
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Marcos Rolim
Jornalista Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo Lembram do meu amigo Bipo, o guardador de carros, que costuma dizer: “-Antes de tudo a ironia?” Leitor compulsivo, cinéfilo e admirador da ciência, Bipo é parente distante de “Eremildo, o Idiota”, a criação de Elio Gaspari. O apelido veio logo na primeira internação psiquiátrica. “Transtorno bipolar” foi o diagnóstico original. Vieram outros depois, vários, mas o apelido ficou. O “guardador” foi um anexo, que surgiu na rua, não no manicômio. Separei um par de tênis para ele esta semana. –“Brigado, drinho (para “padrinho”). E a política – emendou – o que vai dar?” Como estava com pressa, nem pensei em explicar o que tenho pensado sobre. Meu tempo de “análise de conjuntura”, felizmente, passou. Então disse apenas: “A coisa tá difícil, né?” Pronto, foi o que bastou. Bipo engatou uma segunda e não parou mais de falar. Vai aqui o que consigo lembrar de sua fala enigmática: “Difícil sempre teve, drinho. O que passa, agora, é que o negócio ficou tenso, muito tenso. Sou meio Dunga, o senhor sabe. Comigo é na hora e pela frente”. Bipo, a conversa começou pela política, mas você está falando de futebol? Se for isso é melhor mudar de assunto. -“Nada, drinho, o assunto é política mesmo. É que os caras dizem nada. Tudo arrumado para os trouxas. Vai começar a propaganda na TV. Eu não tenho TV, graças a Deus, mas todo mundo tem. E aí vai ser aquele negócio de prioridade para isso e para aquilo que os caras sabem que é o que mais falta, né? E tome conversa.” Mas, Bipo, tentei, sempre há candidatos interessantes e gente boa em vários partidos. –“Sim, mas só de telescópio para descobrir e eu só tenho luneta, drinho”. Sim, esqueci de contar, Bipo carrega sempre uma luneta, presente de um antigo professor de física. “- No fundo, acho que tudo é de propósito. Para desarrumar mesmo, drinho. Aí, quando ninguém mais atura a política, vale qualquer coisa e o que conta mesmo é o dinheiro, entendeu?” Não entendi, disse. “-Simples. O Brasil não sabe de democracia. Tem pouca prática. O pessoal ainda guarda aquela coisa meio da Corte e gosta mesmo é de um favor – amigo do rei e segue. Quem se aproveita do fim da política é a Corte, drinho”. Interessante, pensei. E aí o Bipo acrescentou: –“O que sobra é o mau gosto ou a filosofia, dependendo”. Como é que é? Perguntei. –“Assim ó: teve um candidato que afirmou que se um homem tiver uma amante, deve ser discreto. Por um lado é Wando, por outro é Schopenhauer. O senhor conhece, né, o filósofo dizia que por não existir poligamia, os homens se tornam mulherengos durante a metade de sua vida e cornos durante a outra”. Ninguém deu bola, drinho. Procurei na imprensa com minha luneta e nada. Fiquei então pensando que se o Lula tivesse dito algo parecido haveria editoriais a respeito e a Santa Madre teria emitido uma nota em defesa do casamento”. Incrédulo, perguntei: E você agora lê Schopenhauer? A resposta veio fulminante: - “Claro, drinho. Não suporto é o Wando”. |






















