| TRAFFIC |
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| 25 de abril de 2002 | |
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Quem ainda não teve a oportunidade de assistir deve dar um jeito e procurar logo uma sala de exibição do filme "Traffic". Mais do que o melhor filme já produzido sobre o tema das drogas, "Traffic" é uma lição e tanto sobre o erro básico de uma política pública de combate ao uso de drogas centrada na repressão. Como contar a história do filme seria uma sacanagem, afirmo, apenas, que estamos diante de uma produção que alcança esse efeito quase mágico de reconstruir a realidade, em seus componentes fundamentais, captando o que é a essência de um impasse histórico no drama singular vivido pelos seus personagens centrais.
Lukács diria que o filme consagra a categoria do particular - como o deve fazer a verdadeira obra de arte, mas isso já seria desviar essa conversa despretensiosa para a filosofia, hábito que devo controlar segundo minha chefe de gabinete e crítica mais impiedosa, Yvone, que, além de filiada ao PV e descendente dos Macuxi, foi campeã brasileira de Jiu-Jitsu.
No Brasil, temos perseguido, insistentemente, o modelo norte-americano de combate às drogas. A chamada "War on Drugs" - Guerra contra as Drogas - sinaliza um tipo de enfrentamento pelo qual bilhões de dólares já foram investidos, dentro e fora dos EUA - veja, por exemplo, o atual "plano Colômbia" - na tentativa de "jogar duro" com consumidores e traficantes. O resultado desses esforços tem sido um dos mais retumbantes fracassos da história contemporânea. O negócio do tráfico é o mais rentável do planeta; o consumo de drogas ilícitas tem crescido em todas as faixas da população; as leis penais mais duras contra consumidores e traficantes só fizeram aumentar as taxas de encarceramento, com os efeitos conhecidos, etc. Assim, se há uma "guerra contra as drogas" ela já foi perdida há muito tempo. Quem assistir ao filme terá uma idéia bem real dos motivos dessa derrota. Ora, então o que devemos fazer se a repressão, sabidamente, não é a resposta adequada? Primeiro, seria preciso examinar a experiência histórica vivida pelas nações que apostaram em outro caminho. A Holanda, por exemplo, possui outra história para contar. Lá, o número de consumidores de drogas pesadas permanece estável há muitos anos. Embora o tráfico seja duramente combatido, há tolerância com relação ao consumo de drogas leves como a maconha e os casos de dependência química são objetos de políticas de saúde pública e não "casos de polícia". Sobretudo, aposta-se na prevenção e na construção de sentidos que ofereçam aos jovens alternativas de trabalho, inserção social e também, é claro, prazer. Seria preciso, então, repensar a situação brasileira e procurar, pelo menos, a construção do que no filme é simbolizado pelo sonho de um bom policial mexicano que só queria "campos de basebol iluminados na periferia". Por que? Bom, aí só assistindo ao filme. 02/04/2001 |























