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05 de janeiro de 2004 |
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Michael Moore, o autor do best seller "Stupid White Man" (editora Francis) e do impactante documentário "Tiros em Columbine", escreveu esses dias um artigo muito interessante em torno da prisão de Saddam Hussein. Com muita ironia e humor, ele agradece a Deus pela prisão do ditador dizendo: - "Ele deve ter sentido a nossa falta de verdade. Cara, ele parece muito mal! Mas, pelo menos, conseguiu um exame dentário de graça, coisa que a maioria dos americanos não consegue." Para Moore, o que todos deveriam saber é que Saddam foi uma invenção americana. Saddam não existiria caso não tivesse recebido um forte apoio político, econômico e militar dos Estados Unidos em uma época onde ele era visto como um grande aliado na luta contra o fundamentalismo no Irã.
Saddam foi um "amigo da América", assim como o foram ao seu tempo os ditadores brasileiros; Pinochet, no Chile; Somoza, na Nicarágua e tantos outros. O governo dos EUA ajudou Saddam a intoxicar com gás as tropas iranianas fornecendo a ele, inclusive, informações exatas colhidas por satélite sobre movimentação de tropas. Depois disso, Saddam foi usar gás contra seu próprio povo massacrando a minoria curda ao norte do Iraque. Isso não foi motivo para que o governo Reagan cogitasse alterar suas boas relações com Saddam. Moore cita um relatório apresentado ao Senado Norte-americano em 1994 onde se confirma que Saddam teve acesso a agentes químicos e biológicos que lhes foram disponibilizados pelo governo dos EUA, entre eles o Bacillus Anthracis, a causa de antraz, o Clostridium Botulinum, uma fonte de botulismo, o Histoplasma Capsulatam, causa de uma doença que ataca os pulmões, cérebro, espinha dorsal e coração, o Brucella Melitensis, bactéria que pode causar danos a importantes em vários órgãos, o Clostridium Perfringens, uma bactéria que causa doenças sistêmicas e o Clostridium tetani.
As coisas começaram a piorar para Saddam exatamente quando, como Frankstein, ele "saiu do controle" ou imaginou que pudesse desenvolver uma política externa independente e, ainda por cima, contrariar os interesses de outros amigos dos EUA como o Kwait e a Arábia Saudita, por exemplo. Foi só então que Saddam virou um "monstro" e foi só então que a imprensa começou a chamar Saddam de "ditador". (É interessante que esta palavra nunca seja usada para designar aliados americanos)
O que Saddam poderia fazer de bem para o mundo, neste momento - porque mesmo monstros como ele são capazes de gestos de dignidade - seria contar em seu julgamento todas estas histórias e agradecer aos governos dos EUA pelos longos anos de poder que desfrutou por sobre os ombros e as lágrimas de seu povo. Isso seria, pelo menos, um final à altura de Hollywood, não é mesmo? |