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Acabo de chegar ao Brasil para uma rápida estada de alguns dias e sinto-me muito feliz por isso. Re-encontrar o meu país, ainda que só para um carinho, é algo que parece mesmo indescritível. Estou em Brasília, agora, onde logo mais participo de um seminário sobre as experiências internacionais dos conselhos de desenvolvimento econômico e social organizado pelo Ministro Tarso Genro. No final de semana, terei a chance de ir a Porto Alegre para uma outra agenda de discussões e espero poder rever amigos e ir ao glorioso estádio Olímpico onde o meu time haverá de despachar todos os pesadelos que cercaram a nação gremista nos últimos meses. Vou, é claro, ter a chance de comer feijão e, se der tempo, quero caminhar às margens do Guaíba só para me certificar que o sol ainda se põe por lá do mesmo jeito.
Viver longe do Brasil é uma experiência maravilhosa por tudo aquilo que ela pode significar de aprendizado e, portanto, de mudança. Mas voltar ao Brasil é ainda melhor. Sempre me senti um pouco um cidadão do mundo porque a idéia dos Direitos Humanos se afirma por sobre todas as fronteiras e porque, muito cedo, percebi que uma vida vivida sem interesse ou consideração pelo que ocorre nos demais países termina, de uma forma ou de outra, diminuída. Mesmo por isso, carreguei comigo, durante muitos anos, o forte desejo de viver um tempo fora do Brasil. Tive mesmo algumas oportunidades para isso, mas o fato de estar no exercício de mandatos parlamentares sempre me obrigou a adiar a idéia. Bem, finalmente meu desejo foi alcançado o que confirma que deve-se ter muito cuidado com os nossos sonhos, senão por outro motivo porque eles podem se realizar. Bem, mas a experiência de viver no exterior também nos permite descobrir coisas sobre o nosso país ou ressaltar aspectos sobre ele que antes nos pareciam contingentes ou sem importância.
Quero, então, falar de uma coisa bem pequeninha e ao mesmo tempo muito importante: nós, os brasileiros, mais ainda que outros povos latinos, somos extremamente calorosos, comunicativos, carinhosos e apaixonados. Quando nos encontramos, expressamos alegria por isso e nos abraçamos e nos beijamos e falamos alto para que nossas saudações sejam ouvidas também pelos que passam. Quando apertamos nossas mãos em um cumprimento há uma energia nisso, uma vontade de fusão, um apelo à mistura, talvez. Quando nos tocamos, em síntese, há algo que comunicamos, algo de físico a transmitir, uma espécie de feitiço que nos reforça. E logo queremos saber as novidades e combinamos um jantar ou uma rodada de cerveja em um bar e outros amigos são avisados e, em alguns minutos, está armada uma doce confusão. É preciso ficar longe disso por quase um ano para se ter a exata dimensão do que se perde em uma tradição com a britânica onde a gentileza e a consideração pelo outro – tão fortemente desenvolvidas lá – não conseguem conviver com qualquer espontaneidade carinhosa em público, nem admitir o toque entre os corpos. Para a cultura inglesa, o simples ato de olhar nos olhos de uma pessoa estranha (“eye contact”) é interpretado como um gesto rude, deselegante ou mesmo agressivo. Abraçar alguém? Apertar sua mão? Se você tentar, eles ficarão simplesmente perplexos. Cumprimentar alguém com um beijo na face? Esqueça. O embaraço será tamanho que a pessoa poderá sentir-se violada. Assim, há uma série de temas em torno dos quais as nossas tradições- nesta mistura negra, índia e européia que nos produziu – parecem apresentar vantagens que não devem ser menosprezadas. Bom saber disso.
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