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25 de julho de 2002 |
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As possibilidades de comunicação instantânea e as modernas tecnologias de informação têm implicado mudanças significativas no mundo contemporâneo. Há, por certo, uma promessa de radicalização da democracia inerente à própria “revolução informática”. É sempre bom lembrar, todavia, seus limites quando sabemos que só em Tóquio há mais linhas telefônicas que em toda África negra e que há 200 milhões de computadores de uso pessoal no planeta, o que confere a apenas 4% da população mundial a possibilidade de acesso à Internet.
De qualquer maneira, parece evidente que o conceito de “instantaneidade” passa a cumprir um papel central em todo o processo de produção e difusão da informação, o que condiciona largamente a própria idéia de “jornalismo”. Neste processo, há, também, a emergência de novos problemas, alguns, talvez, sérios demais.
A mídia capaz de influenciar mais amplamente a chamada opinião pública é a TV. Toda a perspectiva noticiosa da televisão - e, por decorrência, sua concepção de jornalismo- está centrada na proposição segundo a qual é preciso “mostrar” os acontecimentos e no prazo mais rápido possível. Uma “boa” matéria jornalística na TV é aquela que traz cenas tomadas “ao vivo”, ou “diretamente do local” da ocorrência noticiosa, de tal forma que se produza em torno da matéria um conjunto de “sensações fortes” que conferem, elas próprias, sentido à notícia. Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, assinala em “A Tirania da Comunicação” (Editora Vozes, 1999) que o jornalista, neste padrão, é ele próprio uma testemunha dos fatos. Uma testemunha a mais pois o que se pretende é que o próprio receptor seja uma testemunha. O ideal deste novo modelo jornalístico é “colocar o telespectador lá”, de tal forma que ele esteja em contato direto com os fatos. Esta tendência começa a se impor, também, nos jornais. Em 1998, o grande jornal japonês Asahi Shimbun (12 milhões de exemplares e 2.500 jornalistas) decidiu acompanhar as provas dos jogos olímpicos de inverno produzindo edições sucessivas que permitiram aos espectadores conferir, à saída do estádio, no jornal, a matéria sobre a prova que tinham acabado de assistir. Rompe-se, assim, o tripé tradicional do jornalismo (evento – jornalista - cidadão) pelo qual o jornalista debulhava o evento, analisando-o, reconstruindo suas características mais significativas, etc. A rigor, o jornalista passa a ser dispensável. No seu lugar surge o “instanteneísta” , cuja missão é a de produzir um eixo “incontroverso e nítido” entre o fato e o receptor.
Este modelo afirma a tese de que “ver é compreender”; uma pobre ilusão que se contrapõe ao próprio programa iluminista de valorização da razão pelo qual, desde o século XVIII, sabe-se que não são os sentidos que nos guiam em direção ao ato de compreender. Os sentidos enganam. Para compreender precisamos da razão. Isto pressupõe, necessariamente, conectar imagem e análise, fato e contexto; em outras palavras: precisamos abstrair o evento se quisermos compreendê-lo. É isto que está se extinguindo no jornalismo moderno pois, como o afirmou Ramonet : “o abstrato não possui imagem... só o real é filmável. Não a realidade”.
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